Do tempo de tela ao tempo de movimento

Tempo de tela x Tempo de movimento - IMA - Ok

11 de março de 2026

Como o esporte pode proteger jovens do excesso de celular

O celular está cada vez mais presente na rotina de crianças e adolescentes. Jogos, vídeos curtos e redes sociais oferecem estímulos constantes que prendem a atenção por horas. Embora a tecnologia traga benefícios importantes, o uso excessivo de telas tem despertado preocupação entre especialistas em saúde e educação em todo o mundo.

Diversos estudos indicam que passar muito tempo em dispositivos digitais pode afetar o desenvolvimento físico, emocional e social de crianças e adolescentes. Problemas como sedentarismo, dificuldade de concentração, ansiedade e distúrbios do sono têm sido associados ao uso prolongado de telas.

Diante desse cenário, cresce a necessidade de iniciativas que ajudem a equilibrar a relação das novas gerações com a tecnologia. Nesse contexto, o esporte surge como uma ferramenta importante para promover saúde, bem-estar e desenvolvimento.

Um exemplo dessa iniciativa é o trabalho realizado pelo Instituto Mais Ação, organização social que utiliza o esporte como instrumento de transformação social. Atualmente, o instituto já impacta mais de 7 mil crianças e adolescentes nas cinco regiões do Brasil, oferecendo acesso gratuito a atividades esportivas e incentivando hábitos de vida mais saudáveis.

Mais do que ensinar modalidades esportivas, os projetos do instituto ajudam crianças e jovens a substituir parte do tempo de tela por experiências reais de movimento, convivência e aprendizado.

Foto Geral - JF
Alunos de Juiz de Fora (MG) durante partida de fusal
O que acontece no cérebro com o uso excessivo de telas

O uso constante de celulares e redes sociais está diretamente ligado ao funcionamento do sistema de recompensa do cérebro. Aplicativos digitais são projetados para oferecer estímulos rápidos — curtidas, vídeos curtos, notificações e recompensas imediatas.

Esses estímulos ativam a liberação de dopamina, neurotransmissor associado à sensação de prazer e motivação. Quanto mais frequentes são esses estímulos, maior tende a ser o desejo de continuar utilizando o celular.

Segundo a psiquiatra Anna Lembke, a exposição constante a recompensas digitais pode alterar temporariamente os circuitos de recompensa do cérebro, aumentando a busca por estímulos imediatos e dificultando a concentração em atividades que exigem mais tempo e esforço [1].

Esse mecanismo ajuda a explicar por que muitas crianças e adolescentes têm dificuldade para se desligar do celular ou manter a atenção em tarefas escolares ou atividades físicas.

Impactos do excesso de celular na saúde

Além das mudanças nos mecanismos de recompensa do cérebro, o uso excessivo de telas pode provocar outros impactos importantes na saúde.

Um estudo conduzido pela psicóloga Jean Twenge identificou que adolescentes que passam muitas horas por dia em dispositivos digitais apresentam maior probabilidade de relatar sintomas de depressão, ansiedade e menor satisfação com a vida [2].

Outro problema relevante é o aumento do sedentarismo. O tempo que antes era ocupado por brincadeiras ao ar livre, esportes ou interação social muitas vezes é substituído por longos períodos diante da tela.

Pesquisadores da Universidade de Queensland, liderados por Timothy Olds, apontam que comportamentos sedentários prolongados estão associados ao aumento do risco de obesidade infantil, pior qualidade do sono e prejuízos ao desenvolvimento físico [3].

Por que o esporte é um aliado da saúde mental

Se o celular estimula recompensas rápidas e digitais, o esporte oferece um tipo diferente — e muito mais saudável — de recompensa para o cérebro.

Durante a prática de atividade física, o organismo libera substâncias como endorfina e serotonina, neurotransmissores associados à sensação de bem-estar, relaxamento e melhora do humor. Esses efeitos ajudam a reduzir estresse e ansiedade, além de contribuir para o equilíbrio emocional.

Pesquisas conduzidas pelo pesquisador Richard Bailey, do Conselho Internacional de Ciência do Esporte e Educação Física, mostram que programas esportivos contribuem significativamente para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional de crianças e adolescentes [4].

Essa relação entre movimento e bem-estar também é percebida pelos próprios participantes dos projetos esportivos.

Fala de Geovanna de Sousa, 12 anos, de Uberlândia, beneficiada pelo projeto Cultivar Esportes 2:

“O tempo que eu fico no celular diminuiu depois que entrei no projeto. Passei a praticar mais exercício físico, até em casa. Estou mais saudável e também conheci novas pessoas. O projeto me ajudou a socializar mais e a me expressar melhor.”

Giovanna - Uberlândia - Fev 26
Geovanna de Sousa durante aula de voleibol
O papel dos projetos esportivos

Projetos esportivos também são importantes ferramentas de desenvolvimento social. Crianças que participam regularmente dessas iniciativas costumam apresentar melhorias na autoestima, nas habilidades sociais e até no desempenho escolar.

Além disso, programas esportivos comunitários contribuem para a inclusão social e para o desenvolvimento de competências socioemocionais, especialmente em contextos de maior vulnerabilidade.

O impacto do Instituto Mais Ação

É nesse contexto que o trabalho do Instituto Mais Ação ganha ainda mais relevância.

Os projetos ampliam o acesso ao esporte para crianças que muitas vezes têm poucas oportunidades de participar de atividades esportivas estruturadas. Pelo menos 80% das vagas são destinadas a estudantes da rede pública de ensino, fortalecendo o acesso ao esporte como um direito social.

As atividades são realizadas no contraturno escolar e incluem modalidades como futebol, futsal, judô e voleibol, criando espaços seguros de convivência, aprendizagem e desenvolvimento.

Para o presidente do instituto, Alexandre Seixas, o alcance nacional da iniciativa reforça o papel transformador do esporte:

“Quando garantimos acesso ao esporte em diferentes territórios do país, estamos oferecendo saúde, convivência e oportunidades reais de desenvolvimento. Cada criança em atividade é uma criança mais protegida do isolamento das telas e mais próxima de um futuro equilibrado.”

Ao oferecer ambientes estruturados de prática esportiva, os projetos ajudam a reduzir o tempo excessivo diante das telas e estimulam hábitos mais ativos e saudáveis.

Transformar tempo de tela em tempo de movimento

Em um mundo cada vez mais digital, o desafio não é eliminar a tecnologia, mas encontrar equilíbrio. Criar oportunidades para que crianças e adolescentes se movimentem, convivam e pratiquem esportes é uma das estratégias mais eficazes para promover saúde física, emocional e social.

Iniciativas como as desenvolvidas pelo Instituto Mais Ação mostram que é possível transformar o tempo livre — muitas vezes ocupado pelo celular — em tempo de movimento, aprendizado e desenvolvimento. E quando crianças descobrem o prazer do esporte, o celular deixa de ser a única fonte de diversão.

REFERÊNCIAS

[1] Lembke, A. (2021). Dopamine Nation: Finding Balance in the Age of Indulgence. Stanford University School of Medicine.

[2] Twenge, J. M., Joiner, T., Rogers, M., & Martin, G. (2018). Increases in depressive symptoms and suicide-related outcomes among U.S. adolescents after 2010. Clinical Psychological Science. San Diego State University.

[3] Olds, T., Maher, C., & Ridley, K. (2011). The place of physical activity in the time budgets of children and adolescents. Journal of Physical Activity and Health. University of Queensland.

[4] Bailey, R. (2006). Physical education and sport in schools: A review of benefits and outcomes. Journal of School Health.

 

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